Entrou no ônibus já cheio e apertado no mesmo horário de todos os dias, carregando uma sacola plástica e sua bolsa surrada.
Durante todo o longo trajeto permaneceria de pé, pois quase nunca lhe ofereciam assento apesar da sua aparência cansada e avelhantada.
Do alto da janela embaçada olhava desinteressadamente o movimento da cidade frenética sem entender ao certo se fazia parte da mesma cena ativa.
Havia percorrido metade do trajeto quando de uma freada brusca, foi arremessada contra um casal que viajava sonolento no banco à sua frente.
Não conseguiu salvar a sua bolsa surrada que voou pelos ares despejando parte da sua vida no meio daquela gente desconhecida.
Alguns riam, outros resmungavam, uns poucos ajudavam incomodados.
Levantou-se com dificuldade, desculpando-se ruborizada enquanto tentava recuperar seus pertences.
Entre um olhar e outro, retomou coisas antes tão íntimas e as escondeu na mesma bolsa com sua vergonha para sempre.
AL/2008
Bach - Chromatic Fantasia and Fugue in D Minor
Trocadilho
Mareada
Materna
Cobriu a cria
Beijou a face
Soprou um sonho
Saiu de cena
E o céu teceu
Na noite plena
Um universo
Particular
AL/2008
Ravel - Gaspard de la nuit
Beijou a face
Soprou um sonho
Saiu de cena
E o céu teceu
Na noite plena
Um universo
Particular
AL/2008
Ravel - Gaspard de la nuit
Quiqui (Para Loli)
Fico aqui imaginando
O dia em que querias
Tocar o mundo novo
Com mãos que mal se via
Tão pequena e decidida
No olhar te resumias
Como forte aspirante
Ao lugar que te cabia
Agarrada aos sentimentos
Como a chuva a ventania
Vai deixando em cada passo
O que tens de mais valia
E te vejo linda e doce
Como o sonho que dizia
Que o fruto de um amor
Será amor um dia
AL/2007
Egberto Gismonti - Palhaço
O dia em que querias
Tocar o mundo novo
Com mãos que mal se via
Tão pequena e decidida

No olhar te resumias
Como forte aspirante
Ao lugar que te cabia
Agarrada aos sentimentos
Como a chuva a ventania
Vai deixando em cada passo
O que tens de mais valia
E te vejo linda e doce
Como o sonho que dizia
Que o fruto de um amor
Será amor um dia
AL/2007
Egberto Gismonti - Palhaço
Soprando velas

Estavam todos em volta da mesa enfeitada com bonecos coloridos, doces e um bolo enorme em forma de espaçonave.
Apagaram-se as luzes, e sete velas foram acesas. E atrás delas o menino mantinha os olhos fixos e a cara envergonhada enquanto todos cantavam desejando felicidades, muitos anos de vida e estas coisas de sempre.
Ao final e sem fazer nenhum pedido, soprou as velas, cortou uma fatia do bolo e ofereceu ao seu melhor amigo. O que estava mais próximo gritando ao seu ouvido e roubando os brigadeiros.
Odiava essa comemoração tola onde a única coisa boa era esperar a hora em que todos se fossem para poder abrir os presentes.
Durante toda a festa brincou desanimado com os primos e amigos e resistiu com humor às inevitáveis provocações dos mais chatos.
E quando finalmente se foram empanturrados de bolo, brigadeiro, pãozinho e refrigerante, fechou-se no quarto com seus presentes. Não eram muitos, mas cada um vinha com o gosto saboroso da surpresa, que ia aumentando à medida que rasgava vorazmente os papéis coloridos.
Jogos, livros, bola de futebol, e coisas menos interessantes... Roupas, meias e uma bendita caneca de porcelana. Até que de repente, escondido em um pacote, encontrou um pequeno envelope estampado com corações e beijos de batom. Isso o deixou ainda mais corado que na hora de apagar as velas. Seu corpo transpirou inteiro com o movimento frenético do seu coração.
Abriu e de tão nervoso começou a ler trocando as letras e as palavras. Teve de reler umas três vezes até entender aquela simples mensagem anônima...
Essa noite pedirei
À estrela mais brilhante
Um beijo de amor
Do aniversariante
Escondeu o bilhete com outros tantos segredos e passou a noite imaginando como iria enfrentar o mundo na manhã seguinte. Mas para sua surpresa os dias foram passando normalmente e o menino, ainda por muitos anos, festejou seu aniversário.
Na hora de apagar as velas que se somavam, sempre apertava os olhos e se concentrava apenas naquele envelope estampado com corações e beijos de batom.
AL/2007
Apagaram-se as luzes, e sete velas foram acesas. E atrás delas o menino mantinha os olhos fixos e a cara envergonhada enquanto todos cantavam desejando felicidades, muitos anos de vida e estas coisas de sempre.
Ao final e sem fazer nenhum pedido, soprou as velas, cortou uma fatia do bolo e ofereceu ao seu melhor amigo. O que estava mais próximo gritando ao seu ouvido e roubando os brigadeiros.
Odiava essa comemoração tola onde a única coisa boa era esperar a hora em que todos se fossem para poder abrir os presentes.
Durante toda a festa brincou desanimado com os primos e amigos e resistiu com humor às inevitáveis provocações dos mais chatos.
E quando finalmente se foram empanturrados de bolo, brigadeiro, pãozinho e refrigerante, fechou-se no quarto com seus presentes. Não eram muitos, mas cada um vinha com o gosto saboroso da surpresa, que ia aumentando à medida que rasgava vorazmente os papéis coloridos.
Jogos, livros, bola de futebol, e coisas menos interessantes... Roupas, meias e uma bendita caneca de porcelana. Até que de repente, escondido em um pacote, encontrou um pequeno envelope estampado com corações e beijos de batom. Isso o deixou ainda mais corado que na hora de apagar as velas. Seu corpo transpirou inteiro com o movimento frenético do seu coração.
Abriu e de tão nervoso começou a ler trocando as letras e as palavras. Teve de reler umas três vezes até entender aquela simples mensagem anônima...
Essa noite pedirei
À estrela mais brilhante
Um beijo de amor
Do aniversariante
Escondeu o bilhete com outros tantos segredos e passou a noite imaginando como iria enfrentar o mundo na manhã seguinte. Mas para sua surpresa os dias foram passando normalmente e o menino, ainda por muitos anos, festejou seu aniversário.
Na hora de apagar as velas que se somavam, sempre apertava os olhos e se concentrava apenas naquele envelope estampado com corações e beijos de batom.
AL/2007
Algodão-doce (Para Vitu)
Uma estrela me avisou
Que a noite entregaria
Um presente adocicado
Enquanto eu dormia
Despertei naquela luz
Que dos seus olhos me dizia
Não haver sinal mais nobre
De amor e companhia
Com o sorriso acanhado
Foi plantando a cada dia
A semente verdadeira
Que com ele já vivia
E o fruto vai crescendo
Como nuvem de algodão
Voando docemente
Carregado de emoção
AL/2007
Sergio Assad - Menino
Que a noite entregaria
Um presente adocicado
Enquanto eu dormia
Despertei naquela luz
Que dos seus olhos me dizia

Não haver sinal mais nobre
De amor e companhia
Com o sorriso acanhado
Foi plantando a cada dia
A semente verdadeira
Que com ele já vivia
E o fruto vai crescendo
Como nuvem de algodão
Voando docemente
Carregado de emoção
AL/2007
Sergio Assad - Menino
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